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Durante décadas, os espaços de decisão dentro das instituições jurídicas foram predominantemente ocupados por homens. Hoje, essa realidade começa a mudar. A advocacia brasileira vive um momento histórico: as mulheres já são maioria na profissão e avançam, cada vez mais, nos espaços de liderança.
De acordo com o PerfilADV — 1º Estudo Demográfico da Advocacia Brasileira, realizado pelo Conselho Federal da OAB em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), as mulheres representam cerca de 50% dos profissionais da advocacia no país, superando, pela primeira vez, o número de homens registrados na Ordem.
No Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, órgão máximo de deliberação da entidade, cada seccional elege três conselheiros federais titulares. Ao todo são 81 integrantes, sendo 34 mulheres e 47 homens, o que representa aproximadamente 41,9% de participação feminina.
Mesmo ainda em minoria, cada cadeira ocupada por uma mulher carrega um significado que vai além da estatística.
A voz feminina que chega ao Conselho Federal
Entre as representantes que ajudam a construir essa história estão as conselheiras federais da OAB Rondônia: Vera Lúcia Paixão, Julinda da Silva e Vitória Jeovana. Suas trajetórias refletem diferentes caminhos, mas têm algo em comum: a advocacia como instrumento de transformação pessoal e coletiva.
Para a conselheira federal Vera Lúcia Paixão, ocupar um espaço no Conselho Federal representa ao mesmo tempo um avanço e um desafio para as mulheres na advocacia.
“Ser mulher no Conselho Federal da OAB é um desafio e também uma conquista. As mulheres hoje já representam mais de 50% da advocacia brasileira, mas ainda enfrentam obstáculos importantes, como a desigualdade salarial, o preconceito e a falta de oportunidades de crescimento.”
Segundo ela, muitas advogadas ainda recebem menos que colegas homens mesmo possuindo a mesma qualificação e experiência. Além disso, em áreas tradicionalmente dominadas por homens, como o direito criminal e eleitoral, ainda é comum que a competência feminina seja questionada.
“Outro desafio que muitas advogadas enfrentam é a conciliação entre carreira e maternidade. Equilibrar a profissão com as responsabilidades familiares ainda é uma realidade muito presente na vida das mulheres.”
Apesar disso, Vera destaca que a presença feminina na OAB tem crescido e conquistado avanços importantes.
“Hoje vemos mulheres ocupando espaços estratégicos dentro da Ordem, inclusive presidências de seccionais e cargos no Conselho Federal. A OAB também tem implementado políticas de inclusão e fortalecido iniciativas como a Comissão da Mulher Advogada. Ainda há muito a avançar, mas as mulheres estão cada vez mais organizadas e conscientes da importância de ocupar esses espaços.”
Para a conselheira federal Julinda da Silva, estar no Conselho Federal carrega um significado profundamente pessoal. Sua trajetória reflete a realidade de muitas mulheres que encontraram na advocacia um caminho de transformação.
Segundo ela, quando uma mulher chega a um espaço de decisão como o Conselho Federal, sua presença representa muito mais do que uma conquista individual.
“Quando uma mulher ocupa um espaço como esse, ela não está ali apenas por si. Ela carrega a história de muitas mulheres que vieram de lugares simples, que lutaram para estudar, para se afirmar na profissão e para serem ouvidas em espaços de decisão.”
Julinda também destaca que, apesar de as mulheres já serem maioria na advocacia, ainda há um caminho importante a ser percorrido nos espaços onde as decisões são tomadas.
“O desafio não é apenas chegar até a cadeira. É transformar esse espaço, abrir portas e garantir que outras mulheres também possam ocupar esses lugares com voz, respeito e protagonismo.”
Já para a conselheira federal Vitória Jeovana, fazer parte do Conselho Federal também representa responsabilidade e compromisso com as mulheres que trilham o caminho da advocacia.
“Ser mulher no Conselho Federal da OAB é carregar uma grande responsabilidade. Cada fala, cada voto e cada posicionamento ali também representa milhares de advogadas que lutam diariamente por reconhecimento, respeito e igualdade dentro da profissão.”
Vitória ressalta que a presença feminina nesses espaços fortalece não apenas a representatividade, mas também a construção de uma advocacia mais plural e sensível às diferentes realidades da sociedade.
“Cada mulher que chega a um espaço de decisão ajuda a abrir caminhos para outras. É assim que vamos construindo uma advocacia mais justa, mais diversa e mais representativa.”
Um caminho que continua sendo construído
A presença de mulheres no Conselho Federal da OAB representa mais do que uma mudança numérica. Ela simboliza a transformação de uma profissão que, historicamente, foi marcada por barreiras de gênero.
A cada nova conselheira eleita, amplia-se a possibilidade de que a advocacia brasileira seja mais plural, mais justa e mais representativa.
E, como mostram as histórias das representantes de Rondônia, cada espaço conquistado por uma mulher dentro da OAB não é apenas uma vitória individual é um passo coletivo na construção de uma advocacia mais igualitária.